sexta-feira, 14 de abril de 2017
O aprendizado de idiomas e a lógica de academia
A lógica de academia é aquela na qual a pessoa acha que vai perder peso e ficar saudável simplesmente por pagar a conta da academia, mas nunca vai, não pratica atividade física e não come de forma saudável. É claro que não funciona. Cada vez mais, eu tenho visto uma variante dessa lógica em alunos que querem aprender idiomas. Paga-se o curso (ou o professor particular) e acha que só por fazer isso vai aprender inglês, francês ou espanhol; ou então “ficar fluente”.
Segue-se a explicação rotineira de que não existe “ficar fluente” como um estado místico que se alcança e pronto, voilá. A fluência é algo gradual: todos que sabemos um pouco de um idioma somos um pouco fluentes nele, mas sempre podemos nos tornar mais fluentes quando aprendemos uma palavra ou expressão nova, por exemplo. Assim como nas atividades físicas, é uma questão de regularidade e prática. É possível ganhar ou perder fluência (ao parar de praticar qualquer idioma, inclusive o materno), da mesma maneira como quem para de praticar exercícios e comer de forma saudável volta a ganhar peso.
Esse problema não está só nos alunos. Há também muitos cursos (foto), que prometem, assim como certas academias e dietas, resultados milagrosos. “6 meses em 30 dias”, “3 anos em 3 meses” etc. Deveriam se chamar “Cursos de Idioma Juscelino Kubitschek” (aquele que prometeu “50 anos em 5”). Não tenho nada contra cursos rápidos, que fique claro. Eles podem ajudar as pessoas de várias maneiras. Mas quando você faz 3 meses de curso, você está fazendo 3 meses de curso (ainda que de forma intensiva). Não espere os resultados que teria em um ano, não se deixe empolgar pelo marketing alheio.
O mesmo vale para as temidas provas de proficiência. É rotineiro ouvir perguntas do tipo: “Se eu vier à aula toda semana eu passo?” Como responder sem frustrar o aluno, mas sem gerar ilusões? Novamente a analogia é válida. As pessoas aprendem em ritmos diferentes, assim como algumas tem mais e outras menos facilidade para ganhar músculos. Mas, o que é mais importante, a prática além do horário de aula e os exercícios constantes ajudam muito. Não dá para se basear só naquele curto período de aulas e acreditar que milagres serão feitos.
O professor pode dar sugestões de estudo, ajudar em dúvidas, apresentar exercícios, explicar elementos linguísticos e várias outras coisas. Mas não abre a cachola, enfia o idioma dentro e torna a pessoa apta. Isso não existe. É preciso romper com a lógica da academia no ensino de idiomas. E não custa explicar isso, com jeitinho, para os alunos. Assim, teremos pessoas menos iludidas e mais conscientes de como aprender.
