quarta-feira, 12 de abril de 2017

Sobre "Rogue One - Uma História Star Wars"


NOTA: 7,0/10

Sou fã de Star Wars. Considero, portanto, que sou parte do público-alvo de "Rogue One - Uma História Star Wars", dirigido por Gareth Edwards. De cara, digo que achei o filme OK. Não é melhor que o episódio VII (2015) ou que a trilogia original (1977, 1980, 1983). Talvez nem seja melhor que o episódio III (2005), mas, ainda assim, é um filme... OK (digo isso encolhendo os ombros). "Rogue One" é o segundo filme da série produzido pela Disney depois da compra dos direitos da Lucasfilm.

A história de como os planos da Estrela da Morte foram roubados poderia ser do interesse dos fãs e teria potencial para agradar mesmo aos que não conhecem a série, por se tratar de uma narrativa de simples compreensão. Mas vários elementos foram colocados na história para complicá-la desnecessariamente. Enquanto isso, um aspecto fundamental para qualquer filme foi desconsiderado -- o desenvolvimento, o carisma e a evolução ("arco") dos personagens, com os quais devemos nos importar (que, para mim, é o que torna os Star Wars originais tão atraentes).

Começando pelo começo -- não há texto de abertura no espaço, acompanhado da música do compositor John Williams, ao contrário de todos os outros Star Wars. Como assim? Não tenho TOC, mas fiquei bem incomodado com isso. Também não gostei nem um pouco do estilo de transição de cenas (corte simples, sem aquelas transições estilo “Power Point”) e da apresentação de fichas com os nomes e localidades dos planetas. Ambos  não tem nada a ver com Star Wars.

Todos os personagens secundários (que, por sinal, tem nomes impronunciáveis) são legais e fazem coisas bacanas. Mas todos também carecem de profundidade emocional, o que talvez seja o ponto mais fraco do filme. Não consegui me “apegar” a nenhum deles. Mesmo a personagem principal (interpretada pela Felicity Jones) e o outro personagem importante (interpretado por Diego Luna), sofrem desse problema de pouco desenvolvimento e nenhum arco. Mas, embora não sejam muito memoráveis, ao menos tem uma razão para estarem ali.

Já o restante da equipe de Rogue One não tem sequer motivações muito claras ou críveis para participar do que é, no mínimo, uma empreitada arriscada. Parece que estão lá "porque o diretor mandou". Dei algumas risadas com o androide do filme, K2SO, que tem um tom sarcástico bem bacana. Em certo sentido, é o personagem mais carismático de todos (o que, por si só, é algo significativo). O vilão, um oficial imperial à frente da Estrela da Morte, é bem motivado e funciona. Ao menos consegue não ser eclipsado pelos demais vilões "históricos" que aparecem no filme: Governador Tarkin e Darth Vader.

Coisas que eu gostei muito: a história esclarece algumas questões relativas ao episódio IV (inclusive uma reclamação histórica sobre a Estrela da Morte). Tudo se encaixa perfeitamente com o episódio IV e dá literalmente para acabar “Rogue One” e assistir a “Uma Nova Esperança” sem pausa. As cenas de ação são excelentes e os efeitos especiais, impecáveis. A fotografia também: tem uma cena de luta perto do fim contra um “Imperial Walker” (AT-AT) em que a câmera mostra de baixo e o ângulo é lindo. O final foi um pouco pesado para um filme de Star Wars, porém absolutamente coerente com a história. As aparições dos personagens de Vader e Tarkin (este último por meio de reconstrução digital da face do ator Peter Cushing) são todas boas. Algumas pessoas vão reclamar que o Vader aparece pouco, mas considerando que o filme não é sobre ele, achei que ficou na medida certa para ele não roubar a cena do antagonista principal do filme.

Os primeiros 40 minutos de filme são incrivelmente corridos e embolados (parece erro de edição) e não apresenta profundamente os personagens. Depois melhora um pouco, mas mantém a deficiência principal. O final é espetacular do ponto de vista da ação, mas não nos importamos tanto assim com os personagens (pelo menos eu não me importei). Só fiquei chateado pela "morte" do robô. Resumindo: não é um filme tão bom quanto poderia ser, mas vale a pena assistir pelo menos uma vez, especialmente quem é fã de Star Wars. Algumas últimas observações:

  • Não me incomodei com a reconstrução digital do falecido Peter Cushing, feita por cima da captação dos movimentos do ator Guy Henry. Achei os efeitos digitais bem feitos, mas tampouco teria me importado se um ator parecido tivesse interpretado Tarkin (poderia ter sido o próprio Guy Henry, inclusive). 
  • Para mim, "O Despertar da Força" (episódio VII) foi um filme bem superior. Embora "copie" vários aspectos do roteiro do episódio IV (1977), os personagens são diferentes e muito bem construídos e carismáticos, além de bem interpretados. Não senti o mesmo "entrosamento" em "Rogue One". 
  • A cena final de "Rogue One" com o Darth Vader destroçando rebeldes é legal? É. Você sai do cinema empolgado? Sim! Mas apesar disso, não é relevante para a história. Fica mais como um "epílogo" (além de um baita agrado para os fâs).
  • Vi algumas pessoas justificando a falta de apelo dos personagens com o argumento de que "Rogue One" seria um "filme de guerra" dentro do universo Star Wars. "Filme de guerra" ou não (pensei que todos os Star WARS fossem filmes de guerra), isso não justifica personagens sem sal ou pouco memoráveis.